"Antes de aprender a transformar gravetos, aprendi a me encantar com aquilo que quase ninguém via."
"O que mais há no mundo que eu ainda não conheço?"
Essa pergunta me acompanha desde muito antes de existir o Artesanato de Gravetos.
Sempre fui fascinada por aquilo que vive longe da pressa.
Pelas trilhas silenciosas, pelas praias quase desertas, pelas cachoeiras escondidas, pelas pedras moldadas pelo tempo e pelos pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos.
Enquanto algumas pessoas viajavam para conhecer monumentos, eu procurava lugares onde a natureza ainda contava suas próprias histórias.
Foi caminhando por esses caminhos que comecei a perceber algo curioso.
Os gravetos que encontrava pelo chão não pareciam apenas pedaços de madeira esquecidos.
Cada um carregava formas, curvas, texturas e marcas construídas pelo vento, pela água e pelo tempo.
Passei a recolher apenas aqueles que pareciam querer continuar a viagem comigo.
Nunca os procurei para transformá-los.
Primeiro aprendi a observá-los.
Foi desse olhar que nasceu o Artesanato de Gravetos.
Mas, olhando para trás, percebo que ele nasceu muito antes das primeiras peças.
Nasceu no hábito de contemplar.
Na curiosidade de perguntar o que ainda existia além do óbvio.
Na vontade de enxergar beleza onde quase ninguém parava para olhar.
Com o tempo compreendi que essa maneira de olhar não transformava apenas gravetos.
Também transformava pessoas.
As histórias que carregamos, assim como a madeira encontrada pelo caminho, também trazem marcas, rachaduras, curvas inesperadas e sinais do tempo.
Foi dessa percepção que, anos depois, nasceu o Chronosoma.
Hoje entendo que essas duas criações nunca caminharam separadas.
Uma revela a beleza escondida na natureza.
A outra revela a beleza esquecida dentro das pessoas.
Ambas nasceram da mesma pergunta.
Da mesma curiosidade.
Do mesmo encantamento diante da vida.
Porque acredito que tudo o que existe carrega uma história.
E talvez a arte — e também a cura — comecem exatamente no instante em que alguém decide olhar com mais atenção.
"Hoje compreendo que o Artesanato de Gravetos nunca falou apenas sobre madeira.
E o Chronosoma nunca falou apenas sobre pessoas.
Os dois nasceram da mesma forma de olhar o mundo.
Uma que acredita que nada está verdadeiramente perdido enquanto alguém ainda for capaz de enxergar novas possibilidades.
Foi assim que aprendi a olhar para um graveto.
Foi assim que aprendi a olhar para a história de uma vida.
Talvez seja por isso que continuo caminhando.
Não apenas para encontrar novos lugares.
Mas para descobrir novas formas de olhar aquilo que sempre esteve diante de mim."